Professor da UFCG investigado por assédio contra alunas foi diácono e já respondeu processo pelo mesmo crime
Professor Antônio Lisboa Leitão de Souza já foi diácono em Campina Grande Reprodução / Diocese de Campina Grande O professor Antônio Lisboa Leitão de Souza, demitido pelo Ministério da Educação (MEC) após um processo administrativo disciplinar que apurou assédio sexual e moral contra estudantes da Universidade Federal de Campina Grande (UFCG), também foi diácono e já respondeu a um processo por assédio sexual em 2017. Além da atuação na universidade, Antônio Lisboa foi ordenado diácono da Diocese de Campina Grande em 2015. Em maio de 2026, a Diocese divulgou que ele deixou de integrar o quadro de diáconos. A instituição não informou o motivo do desligamento. Ao todo, ele permaneceu cerca de 11 anos no diaconato. Agora no g1 O g1 entrou em contato com a Diocese de Campina Grande para saber se a instituição pretende se posicionar sobre o caso e se o desligamento do diácono teve relação com as denúncias envolvendo o professor, mas não recebeu resposta até a última atualização desta reportagem. Professor já respondeu a processo por assédio sexual em 2017 O g1 teve acesso à sentença de um processo em que Antônio Lisboa respondeu por assédio sexual contra duas mulheres em 2017. Na ocasião, ele foi beneficiado com a suspensão condicional do processo, medida em que o andamento da ação fica suspenso desde que o investigado cumpra as condições estabelecidas pela Justiça durante um período determinado. De acordo com a sentença, ele cumpriu prestação de serviços à comunidade e compareceu regularmente à Justiça para comprovar o cumprimento das determinações. Com o fim do período estabelecido e sem registro de descumprimento das condições, a Justiça declarou extinta a punibilidade e determinou o arquivamento do caso. Entenda o caso Campus da Universidade Federal de Campina Grande UFCG/Divulgação O Ministério da Educação (MEC) determinou a demissão de Antônio Lisboa Leitão de Souza após a conclusão de um processo administrativo disciplinar que apurou a prática de condutas de conotação sexual e assédio moral contra estudantes da UFCG. A decisão foi publicada no Diário Oficial da União (DOU) da terça-feira (14) e assinada pelo ministro da Educação, Leonardo Osvaldo Barchini Rosa. Segundo a portaria, o professor utilizou o cargo que ocupava na universidade para praticar atos de conotação sexual e assédio moral contra alunas da instituição. O documento afirma que houve "valimento do cargo", termo usado para caracterizar o uso da função pública para obter vantagem pessoal ou cometer irregularidades. Antes da demissão, Antônio Lisboa era professor associado da UFCG e membro permanente do Programa de Pós-Graduação em Educação (PPGEd-UAED-CH). Também integrou o Conselho Municipal de Educação de Campina Grande, onde foi membro e vice-presidente entre 2014 e 2016. A publicação do DOU não detalha os episódios que motivaram a abertura do processo administrativo nem informa quando as denúncias foram registradas. O documento também não traz informações sobre eventual investigação na esfera criminal. O g1 não localizou a defesa de Antônio Lisboa. O g1 também entrou em contato com a Comissão Permanente de Processo Administrativo Disciplinar (CPPAD) da UFCG. Segundo o presidente da comissão, o processo tramita sob sigilo e ainda não houve trânsito em julgado na esfera administrativa. De acordo com ele, o procedimento está no Ministério da Educação e, após a conclusão definitiva da análise, a decisão será encaminhada à universidade para cumprimento. A comissão informou ainda que o acesso ao processo poderá ser disponibilizado quando o sigilo for retirado.