Morre aos 98 anos Luiz Carlos Barreto, o cearense que moldou o cinema brasileiro
Barretão, nascido em Sobral (CE), fotógrafo de “Vidas Secas”, produtor de “Dona Flor” e articulador da Lei do Audiovisual, morreu nesta quarta (22) no Rio.
O fotógrafo, produtor e cineasta Luiz Carlos Barreto, o Barretão, morreu na madrugada desta quarta-feira (22), aos 98 anos, no Rio de Janeiro, em decorrência de infecção pulmonar agravada por pneumonia. Nascido em Sobral, no Ceará, em 1928, ele atravessou — e em boa parte construiu — a história da indústria audiovisual brasileira.
Foi na direção de fotografia de “Vidas Secas” (1963), de Nelson Pereira dos Santos, que Barreto deu ao sertão a imagem que o cinema nacional não tinha: tirou os filtros que suavizavam a luz e registrou o sol direto, no alto contraste que virou a identidade visual do Cinema Novo — método que ele resumia na frase “sombra é sombra, luz é luz”.
À frente da L.C. Barreto Produções, fundada em 1963, produziu mais de uma centena de obras, entre elas “Dona Flor e Seus Dois Maridos” (1976), que levou 10 milhões de espectadores aos cinemas e superou “Tubarão” nas bilheterias brasileiras. Nos anos 1990, após o colapso da Embrafilme, articulou no Congresso a aprovação da Lei do Audiovisual (1993), que abriu o ciclo da Retomada — período em que sua produtora emplacou duas indicações ao Oscar de melhor filme estrangeiro, com “O Quatrilho” (1995) e “O Que É Isso, Companheiro?” (1997).
Em nota, o Ministério da Cultura lamentou a morte e destacou as mais de seis décadas dedicadas ao audiovisual. O velório está marcado para a manhã desta quinta-feira (23), no Palácio da Cidade, sede da prefeitura do Rio, seguido de cremação em cerimônia restrita. Barretão deixa a esposa, Lucy, os filhos Bruno e Paula, nove netos e oito bisnetos — e obras ainda inéditas que supervisionou, como “Deus Ainda É Brasileiro”, de Cacá Diegues.
Com informações do Tela Viva.